Capa do livro Entre o Céu e o Nada — Reginaldo Pessoa
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Entre o Céu e o Nada

Sinopse

A História de Cael

Entre o Céu e o Nada é um mergulho poético na travessia silenciosa de Cael, um buscador que não deseja fama, mas profundidade.

Narrado em primeira pessoa, o livro conduz o leitor por fragmentos de silêncio, reflexões sobre o invisível, encontros que não se explicam e verdades que não cabem em palavras.

Em um mundo onde tudo precisa ter nome, forma e função, Cael escolhe escutar.

E nesse gesto aparentemente simples, revela o que muitos passam a vida inteira tentando entender: que a leveza nasce quando deixamos de carregar o que não somos.

Mais do que uma história, este livro é um convite:

a habitar o espaço entre o céu e o nada —

onde mora tudo o que é real.

A História de Cael

Entre o Céu e o Nada é um mergulho poético na travessia silenciosa de Cael, um buscador que não deseja fama, mas profundidade.

Narrado em primeira pessoa, o livro conduz o leitor por fragmentos de silêncio, reflexões sobre o invisível, encontros que não se explicam e verdades que não cabem em palavras.

Em um mundo onde tudo precisa ter nome, forma e função, Cael escolhe escutar.

E nesse gesto aparentemente simples, revela o que muitos passam a vida inteira tentando entender: que a leveza nasce quando deixamos de carregar o que não somos.

Mais do que uma história, este livro é um convite:

a habitar o espaço entre o céu e o nada —

onde mora tudo o que é real.

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Capítulo 1 – O Chamado Invisível

“Nem todo chamado grita. Alguns sussurram tão baixo que só o silêncio ouve.”

Eu devia ter uns oito ou nove anos quando comecei a perceber que o mundo era mais fundo do que diziam. Não foi uma visão, nem uma revelação. Foi algo menor. Quase tolo. Uma folha caindo. Um cão dormindo como se sonhasse. Um silêncio que me envolvia mesmo quando tudo estava barulhento ao redor.

Na época, achei que era distração. Meus professores achavam também. Meus pais, nem se importavam — diziam que eu era “quieto demais para a idade”.

Mas não era sono, não era cansaço, não era tédio. Era como se algo me chamasse. Não com palavras.

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Não com urgência. Apenas... com presença.

Com o tempo, entendi que esse “algo” era o começo de uma pergunta. Uma pergunta que eu não sabia formular, mas que se repetia em forma de sensação:

“Será que tudo isso é só isso mesmo?”

As pessoas pareciam satisfeitas com as repostas prontas. Com as rotinas. Com as fachadas. E talvez estivessem certas. Mas eu, mesmo tentando, não conseguia ficar ali. Não por muito tempo.

Me afastei de muitas coisas que diziam ser importantes. Diplomas. Relacionamentos. Reconhecimento. Tudo isso parecia pesar mais do que valia. O que eu buscava não tinha nome. E por isso ninguém vendia.

Teve um tempo em que eu pensei que fosse louco. Outro, que talvez estivesse sendo arrogante por querer ver o que tantos diziam não existir.

Mas então vieram os sinais. Pequenos. Uma conversa inesperada com um velho que falava como se já me

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conhecesse. Um livro esquecido num banco de praça, com uma página marcada onde se lia:

"Nem toda verdade cabe num altar. Algumas se escondem no deserto."

Comecei a escrever. Não para ensinar, nem para convencer. Escrevia para não perder o fio do invisível. Porque o invisível — esse, sim — escapava fácil.

Anoto coisas que ouço dentro de mim, ou fora, ou no meio dos dois.

Às vezes, leio para alguém. A maioria sorri, diz que é bonito, e muda de assunto. Mas há outros. Poucos. Esses não dizem nada. Apenas olham por dentro. E quando isso acontece, eu sei que valeu a pena ter esperado tanto por tão pouco.

Por isso sigo. Porque esse chamado, mesmo invisível, não me deixa. E eu, mesmo livre para ignorá-lo, continuo indo em direção a ele — como se o silêncio que me ensinou a escutar, agora me pedisse para ser voz.

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Capítulo 2 – Fendas na Realidade

“A realidade não é uma parede. É uma cortina mal pendurada.”

Nunca acreditei que o real fosse sólido. Mesmo quando bati com o joelho em uma quina ou chorei por perdas irreversíveis, algo dentro de mim dizia:

"Há mais do que isso. O que dói não é tudo."

Mas as fendas… essas eu só fui notar com o tempo. Elas não estavam nos muros, nem nas palavras dos outros.

As primeiras apareceram na forma de ausência — pequenos momentos em que o mundo perdia nitidez, como uma lente que sai de foco, ou como se o som ao redor estivesse longe demais, apesar da proximidade. Era como se a realidade piscasse.

Lembro de uma tarde, sentado no banco de uma praça, sem celular, sem livro, sem nada.

As pessoas passavam com pressa. Algumas discutiam. Outras riam alto demais.

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Mas ali, no meio do burburinho, tudo pareceu parar. Não foi místico.

Não foi luz. Foi silêncio.

Um silêncio que parecia olhar para mim.

Por alguns segundos, tudo o que me cercava ficou irrelevante.

O tempo parou de exigir respostas. E o mundo, que antes parecia concreto, começou a se dissolver como fumaça. Naquele instante, eu não queria entender. Eu só queria permanecer.

Depois disso, a vida não voltou mais a ser a mesma. Porque, mesmo quando tudo seguiu igual — trabalho, contas, encontros, despedidas — eu sabia que aquilo não era o todo.

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